Satú

Localizado no litoral sul da Bahia, Caraíva é um vilarejo que possui um conjunto arquitetônico e paisagístico que remetem à época colonial portuguesa. De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o IPHAN, Caraíva, ao lado de Vale Verde, Ajuda e Trancoso também é tombada. Logo, a modernidade dos centros urbanos não parece ser vista como um conforto adicional.

Não existe asfalto. Nos corredores em que se alojam as humildes casas coloridas, a areia é branca e fina a ponto de ressaltar ainda mais a beleza do vilarejo. Se prestar atenção verá pequenas marcas de patas de cachorro formadas na areia que podem ser seguidas. Os cachorros são livres para desbravar a mata ou repousar em qualquer canto, pois carros não trafegam por lá. Alí, o barato é imergir nos recursos naturais que estão ao seu dispor.

Antes de cruzar o Rio Caraíva que deságua no mar para chegar ao Satú, é possível ver os Ribeirinhos preparando suas redes de pesca. Os barcos e canoas ficam próximos a costa do rio e um aceno de mão deseja “bom dia”.

Um Homem. Um Filho.

O objetivo era visitar um morador do vilarejo que possuía um pequeno bar de beira de praia. Aproximadamente três quilômetros a pé. Não demora para avistar a casa. Apertando um pouco o ritmo das passadas, logo já se encontra na porta do estabelecimento.

A casa é bem pequena. Na entrada é possível ver as paredes construídas com blocos de barro e sustentadas com troncos de árvore, um trabalho artístico e de quem realmente sabe usar o que a natureza proporciona.

Satú entra pela porta de trás do estabelecimento e cumprimenta. Pede desculpas pela demora e oferece uma cachaça. Sua expressão parece preocupada e já emenda o assunto. “_Meu filho faleceu há três dias. Ele voltava para Caraíva pilotando uma moto quando bateu contra uma árvore. Foi em uma estradinha que dá acesso ao vilarejo. Era o meu único filho”.

Assim que terminou de falar, uma menina se aproximou de Satú e avisou que estava indo embora. A cachaça desceu como água. Na verdade Satú estava fechando a casa para resolver alguns assuntos de família. Pediu desculpas e se retirou.

Quando o Sol se pôs naquele dia, o mar estava calmo.

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Texto e fotos: Tico Mendes

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