Marcio Zaka

A campainha toca e latidos vêm surgindo. Quando o portãozinho de entrada da casa se abre, rapidamente surgem cenas da infância vivida pelas ruas do bairro. Quem recebe a visita é Marcio Zaka, morador do Ipiranga e Tatuador de profissão.

Chegando minutos antes do grande acontecimento da noite, a recepção dentro da casa é de grande hospitalidade. Tanto o pai quanto a mãe de Marcio aparecem para dar as boas vindas. O acesso à grande sala é de poucos passos e nela estão disponíveis diversas cadeiras e sofás. Se olhar para frente, na cozinha, uma grande mesa branca oferece comida e bebida. Se olhar para a direita, um grande oratório em madeira dispõe de pequenas portas, todas fechadas.

 O Caminho do Meio

Marcio é praticante do budismo japonês Nichiren Daishonin há seis anos. Muito antes de conhecer os ensinamentos, morava na Praia Grande, litoral sul de São Paulo. Veio para a capital em 1994 e cresceu no Ipiranga.

Em determinado período da vida diversos conflitos familiares marcaram sua história, obrigando-o a dar um basta na desgastante situação. Durou aproximadamente dez anos a falta de comunicação entre ele e a irmã.

Foi nesse tempo que conheceu uma garota e começaram a namorar. A avó dela era praticante do budismo Nichiren. No primeiro momento, chegou a pensar que a senhora teria alguma rejeição por conta das tatuagens que ele já possuía. Mas não foi bem assim.

“Quando cheguei à casa da avó dela fui muito bem acolhido. Ela [a avó] era muito estudada e não ligou para as minhas tatuagens. Conversamos bastante. Uma coisa que me lembro até hoje foi quando ela me disse que nunca devemos por a culpa no outro. Aquilo me marcou e decidi buscar conhecimento dentro do budismo. Depois de um tempo consegui reconhecer a minha arrogância e a aceitar também minha participação nas brigas”.

O estudo budista nunca mais parou na vida de Marcio. Entretanto, outra situação surgiu para abalar a estrutura familiar: o falecimento de um casal de irmãos. “Primeiro foi a minha irmã, que ficou muito doente e não resistiu. Em seguida foi meu irmão, na Praia Grande. Fiquei sem chão. Nem sabia se eu voltaria a trabalhar em um estúdio, se ia continuar seguindo as minhas coisas e inclusive o budismo. Mas o pessoal da Associação Brasil BSGI – Soka Gakkai Internacional, escola budista Nichiren – lá do litoral entrou em contato comigo mesmo eu estando distante e me ofereceram ajuda. Eles têm uma visão muito diferente da morte. Meus pais já frequentavam o BSGI em São Paulo e isso colaborou para o nosso fortalecimento”.

Daimoku

As pessoas chegavam aos poucos. Entravam e cumprimentavam. Confortavelmente se ajeitavam nas cadeiras e conversavam assuntos variados. Rapidamente as portas do Gohonzon [pergaminho] foram abertas e, ao toque de três batidas do bastão em uma tigela – que soava um metálico suave -, iniciaram o “Nam-Myoho-Renge-Kyo”, o Mantra Sagrado do Sutra Lótus.

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Bastão e tigela iniciam a oração
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Marcio recita o Daimoku 

Com a recitação de todos, ao mesmo tempo, uma forte vibração preenche o lugar. Alguns seguravam o que parecia ser um Japamala, um cordão utilizado para ajudar nas orações e mentalizações; um marcador.

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Participante segura um Japamala

Em torno de dez minutos as orações terminaram e o Gohonzon foi fechado. A exibição de um breve documentário sobre o dia “03 de Maio de 1960”, quando o presidente Daisaku Ikeda assumiu como terceiro presidente da Soka Gakkai e fundou o Distrito Brasil, fechou a noite. Hora de celebrar na cozinha.

Na hora de partir, o frio já abraçava a noite e cada praticante seguia um caminho diferente.

Texto e fotos: Tico Mendes

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2 comentários sobre “Marcio Zaka

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