Lisboa

O ano não tinha sido nada fácil para a família. Falecimento de pai e mãe e uma grande incerteza de como seria dali pra frente. Para renovar as forças, foi decidido que Portugal seria o nosso destino. 

Era quase Dezembro de 2008 e a viagem estava próxima. Depois de muitos anos longe, reencontraríamos a Chris e a Manu. A Chris é irmã da minha mãe e da tia Geninha. A Manu é prima delas. A última vez em que me lembrava de ter visto a Chris fora em 1995, quando esteve no Brasil para realizar um documentário para a Fundação Padre Anchieta. Já a Manu era mais recente; em 1999/2000, em Maresias, confraternizando com todos nós o Ano-Novo.

Foi combinado que Geninha, meu primo Tuco (Arthur) e eu iríamos para Lisboa. Já o meu outro primo Alê, irmão do Tuco ficaria em São Paulo cuidando das coisas. Comemoramos o Natal em São Paulo e no dia 26 de Dezembro estávamos embarcados.

Depois de dez horas angustiantes dentro do avião, chegamos em Lisboa. Recepção calorosa da Manu e papos que não terminariam tão cedo.

Paramos para tomar café em um estabelecimento e fomos passear pela cidade (Tuco fez um adendo: nosso primeiro café foi em uma pastelaria na Avenida Montevidéu, em Benfica). Céu azul e um Sol forte disfarçavam um frio nunca sentido antes. Já era quase o horário de almoço e Manu nos levou à casa dela. Um apartamento muito confortável e com vista para a rua. A mesa para o almoço foi posta, com vinho típico português e camarões-rosa frescos.

Terminado o banquete fomos procurar um hotel para que Tuco e eu pudéssemos descansar. A Geninha ficaria com a Manu. Lembro que o sono durou mais de doze horas. Na primeira noite fomos ao mercado local. Compramos cervejas e águas. Em regiões bastante frias, vale a pena gelar o drink na varanda.

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Super Bock e Sagres gelando naturalmente

 

A Viúva.

Nos dias seguintes fomos visitar lugares históricos na região central de Lisboa. Percorremos avenidas, ruas, igrejas e bares. Há ladeiras por onde sobem e descem os famosos bondes, pinturas artísticas nas paredes e fachadas dos prédios e casas. A Avenida Liberdade, construída entre 1879 e 1886 é um excelente trajeto para conhecer um pouco da história da cidade, uma vez considerada boulevard (divida nos dois sentidos para os carros e uma extensa e larga calçada para os pedestres), a avenida fez parte da boemia dos jovens lisboenses há mais de um século.

Entre as íngremes ladeiras, percebi que uma figura negra encontrava-se parada entre a curva da escadaria. Logo, com a câmera de bolso, consegui dar um zoom e reconhecer se tratar de uma mulher. Talvez estivesse conversando com alguém que na nossa visão não poderia encontrar. Mas continuava parada. Foi apenas um clique. Fui pesquisar posteriormente e o que encontrei foram as famosas “viúvas portuguesas”; mulheres que adotam a vestimenta negra em sinal de luto – valendo a perda de familiares ou o próprio marido, a vestimenta pode durar entre três anos ou para o resto da vida.

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Viúva portuguesa

Percorremos toda a extensão da avenida a pé e nos dirigimos ao Largo do Chiado. Símbolo do romantismo português, esse bairro foi palco dos clubes intelectuais da época, participando o poeta Fernando Pessoa e o escritor Eça de Queiroz. No centro de Chiado, uma estátua de tamanho natural de Fernando Pessoa dá a graça para quem gosta de beber. Aliás, um dos principais cafés que Fernando frequentava ainda funciona.

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O interior não sofreu modificações

 

Feliz 2009.

Estávamos nos aproximando do Ano-Novo e fomos convidados a participar da festa com a Manu ao lado da família de uma amiga dela. Era no mesmo prédio. Iniciamos as comemorações no apartamento da Manu, bebendo – claaaro.

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Tia Geninha (esq.) e Manu: Saúde!

A família estava toda reunida. Filhos, primos, netos e avós. Todos em volta da grande mesa. Velas pequenas iluminavam sutilmente o ambiente. Próximo do horário, pequenas tortilhas doces eram distribuídas para todos abrirem. Dentro, pequenas imagens alegóricas em porcelana surgiam e reunidas formavam um presépio.

Na hora de celebrar a chegada do novo ano, tampas de panelas eram batidas na janela do apartamento, ecoando na escuridão da rua. Se prestasse atenção conseguiria ouvir de longe a comemoração nos outros prédios.

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Champagne para “molhar a palavra”

Ficamos em Lisboa por aproximadamente vinte dias. Para quem nunca havia saído do país, poder conhecer a origem da família materna foi incrível.

Nesse meio tempo, pude ter o meu primeiro contato real com a fotografia. Tuco e eu usávamos uma Samsung S760. Aprendemos na marra a usar o RGB da câmera, brincar com efeitos, exposição e registrar o que achávamos interessante.

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Senhora estende a roupa em varal ao lado de fora do apartamento
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Orações em igreja no centro de Lisboa
Viela
Viela à noite, na Avenida Liberdade
Taxis
Táxis contornando avenida

 

Nos dias seguintes de primeiro de janeiro, pudemos conviver mais com a Chris. A memória guarda com muito carinho as longas conversas e abraços apertados.

Familia.jpg
Sentido horário: Manu, Chris, Tuco e Geninha

Texto e fotos: Tico Mendes

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2 comentários sobre “Lisboa

  1. Tiquinho, relembrando o passo a passo das idas e vindas, à terra patrícia,trouxe a nostalgia de bons momentos! Obrigado pela lembrança (menos a foto final, na qual estou muito gordo!)! Ah! Nosso primeiro café foi na pastelaria da Avenida Montevidéu, em Benfica…

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